26 setembro 2016

Aquele que dentre vós for o menor, esse é o maior

São Pedro penitente - Guido Reni
“O silêncio interior é impossível sem a misericórdia e a humildade.”

Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Ed. Vozes), 7ª Ed. 2014, pág. 60

19 setembro 2016

A lâmpada que deve brilhar

“Eu tinha certo receio de todas as regras religiosas como um todo, e este novo passo para o mosteiro não era algo que eu daria apressadamente. Ao contrário, minha mente estava cheia de dúvidas sobre o jejum, a clausura, as longas orações, a vida comunitária, a obediência monástica, a pobreza, etc. E havia muitos fantasmas estranhos dançando nas portas da minha imaginação, todos prontos a entrar, se eu o permitisse. Caso o permitisse, eles me mostrariam como ficaria demente no mosteiro, como minha saúde se abalaria e meu coração baquearia; eu entraria em colapso, seria reduzido a frangalhos e voltaria ao mundo qual destroço moral e físico, sem qualquer esperança. (...)
Tão logo comecei a jejuar, a recusar a mim mesmo certos prazeres e a dedicar tempo à oração, à meditação e aos outros exercícios que fazem parte da vida religiosa, descobri que superava rapidamente minha má saúde, tornava-me saudável, forte e imensamente feliz.”
A montanha dossete patamares, Thomas Merton (Ed. Vozes), 2ª Ed. 2010, pág. 237-238

12 setembro 2016

No limiar do desespero

“Como Deus está próximo de nós, quando, reconhecendo e aceitando a nossa abnegação, lançamos inteiramente em suas mãos os nossos cuidados! Contra toda a expectativa humana, Ele nos sustenta quando é preciso, ajudando-nos a fazer o que parecia impossível. Aprendemos, então, a conhecê-Lo não nessa ‘presença’ que se acha em abstratas considerações (...) mas no vazio de uma esperança que pode chegar ao limiar do desespero. (...) A esperança está sempre prestes a converter-se em desespero, mas sem nunca chegar, porque, no instante supremo da crise, o poder de Deus se perfaz, de repente, em nossa fraqueza.”
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton, (Ed. Agir) 5ª Edição, 1968, pág. 172

05 setembro 2016

Humildade, fé e caridade

“O sentido todo da vida consiste em espiritualizar nossas atividades pela humildade e a fé, e em silenciar nossa natureza pela caridade.”
Na Liberdade da Solidão, Thomas Merton (Ed. Vozes), 7ª Ed. 2001, pág. 90

29 agosto 2016

A completar o trabalho

“A contemplação (...) é um dom religioso e transcendente. Não é algo que possamos atingir sozinhos pelo esforço intelectual e o aperfeiçoamento de nossas potências naturais. Não é uma espécie de auto hipnose, resultando da concentração, sobre o nosso próprio ser íntimo, espiritual. Não é fruto de nosso próprio esforço. É dom de Deus que, em sua misericórdia, completa o trabalho oculto e misterioso da criação em nós, iluminando nosso espírito e nosso coração, despertando em nós a consciência de que somos palavras proferidas em sua Única Palavra, e que o seu Espírito Criador (Creator Spiritus) habita em nós e nós Nele. (...) A contemplação é mais do que mera consideração de verdades abstratas sobre Deus. É um despertar, uma apreensão intuitiva com que o amor se certifica da intervenção criadora e dinâmica de Deus em nossa vida cotidiana.”
Novas Sementes de Contemplação, Thomas Merton (Ed. Fisus), 1999, pág. 12